A equipa de Emanuel Cardoso, Bruno e João realizou 3 pequenos filmes susceptíveis de serem vistos no Youtube sobre lições do professor Jacinto Rodrigues que se deslocou aos locais para mostar obras de arquitectura do movimento orgânico.
Jacinto Rodrigues e Emanuel Cardoso estiveram na Suiça e na Alemanha em Junho de 2006 onde procederam ao estudo in loco das obras apresentadas nos filmes visíveis referenciados por:
Naturata
Escola Waldorf
Dornach
Dornach 2
Dornach 3
António Jacinto Rodrigues nasceu em Luanda, a 28 de Outubro de 1939.
É Professor Catedrático da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto e titular da cadeira de Ecologia Urbana.
É investigador no Centro de Estudos Africanos na Universidade do Porto.
A sua formação académica reflecte uma forte vocação transdisciplinar (ver nota biográfica).
É Professor Catedrático da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto e titular da cadeira de Ecologia Urbana.
É investigador no Centro de Estudos Africanos na Universidade do Porto.
A sua formação académica reflecte uma forte vocação transdisciplinar (ver nota biográfica).
28/10/09
Filmes disponíveis no Youtube sobre o Goetheanum, a escola Waldorf de Uberlingen e Naturata de Macovecz
12/10/09
Moringa Oleífera
Desde há alguns anos que me acompanha o sonho de uma árvore. Essa árvore é a Moringa Oleífera. A primeira vez que ouvi falar nesta árvore foi no início deste milénio, pouco mais ou menos quando nasceu o meu filho mais novo, David.
A imagem desta árvore tem-me acompanhado ao longo de todas as minhas viagens de estudo, especialmente quando vou a África: Marrocos, Mauritânia, Moçambique, Angola e Cabo Verde.
Tentei, com a colaboração de amigos e familiares, fazer um pequeno viveiro com as poucas sementes que consegui arranjar. Foi graças ao Emmanuel Roland, biólogo e agricultor que vive na Bretanha, que conseguimos fazer crescer uma dessas sementes de Moringa Oleífera, a árvore sagrada proveniente da planície dos Himalayas.
Hoje, mostrarei as imagens do processo de crescimento da Moringa Oleifera, plantada em França, na Bretanha, com o método do Emmanuel Roland.
Aqui se mostra a metamorfose da planta e o crescimento que ela obteve, desde o mês de Abril, data em que foi semeada, até agora, medindo cerca de 1 metro e 25 cm de altura.
Hoje, mostrarei as imagens do processo de crescimento da Moringa Oleifera, plantada em França, na Bretanha, com o método do Emmanuel Roland.
Aqui se mostra a metamorfose da planta e o crescimento que ela obteve, desde o mês de Abril, data em que foi semeada, até agora, medindo cerca de 1 metro e 25 cm de altura.
No atelier de Emmanuel Roland - Abril 2009
Emmanuel Roland e Jacinto Rodrigues
Abril de 2009
Junho 2009
Julho 2009
Outubro 2009
A Moringa Oleífera medindo cerca 1,25m
O artigo que está aqui reproduzido, foi escrito para o congresso realizado em Angola, em 2006 e foi também publicado no blogue da Esteira do Ambiente.
"O colibri em cada sítio pode e deve apagar incêndios, como na história de Wangari Muto Maathay. Isso é prova de postura interventiva e de esperança.
Porém, o colibri em cada lugar tem muitas tarefas para além de apagar o fogo.
A principal acção preventiva é semear e plantar árvores.Hoje, quero falar do Colibri Moringueiro
A Moringa é uma árvore originária da Índia. Tem sido plantada em vários países do planeta, nomeadamente no Brasil e na África.
Existe muita informação na net, bastar clicar num motor de busca, na palavra Moringa.
O importante, sobre esta árvore sagrada, pode resumir-se no seguinte:
1º Há vários tipos de Moringa mas todos eles podem ser semeados ou plantados em forma de estaca. Sobrevivem em solos pobres e mesmo com pouca água, resistem. Florescem normalmente depois de terem sido plantados em estaca 8 meses depois. os ramos destas árvores que podem atingir alguns metros de altura transformam-se em estacas para novas plantações de árvores Moringas.
2º As folhas de Moringa podem contribuir para acabar com a fome no mundo. Com efeito, as suas folhas são comestíveis e têm propriedades nutricionais fabulosas:
a) 7 vezes mais vitamina C do que as laranjas;
b) 4 vezes mais vitamina A do que as cenouras;c) 4 vezes mais cálcio do que o leite;
d) 3 vezes mais potássio do que as bananas;
e) 2 vezes mais proteínas do que o iogurte.
Assim, semear uma Moringa é ter uma imensa fonte polivitaminíca e proteíca para toda a família.
Basta fazer uma salada de folhinhas de Moringa!
3º As vagens são sucarentas e constituem um elemento notável para o gado.4ª As sementes que se encontram dentro das vagens produzem um óleo alimentar, excepcionalmente rico. Também se pode utilizar esse óleo como biodiesel para motores.
5ºA semente, depois de triturada, dá origem a uma farinha que pode ser utilizada no tratamento da água. No Malawi, em colaboração com a Universidade de Licester (Reino Unido), obtiveram-se resultados melhores e a preços mais baixos do que os habituais tratamentos com produtos químicos. Um relatório da referida Universidade explicita que a farinha da semente de Moringa, funciona como um polielectrólito catiónico natural, no tratamento da água. (ver Relatório Sutherland/Folkard e Grant - in http://www.treesforlife.org).
No Malawi procede-se actualmente ao tratamento da água em larga escala, com a Moringa, na povoação de Thyolo.
6º Além da qualidade de coagulante natural que permite o tratamento da água, a Moringa tem propriedades terapêuticas: Na Índia, a medicina ayurvédica utiliza produtos extraídos da Moringa como antibióticos naturais e a antiga tradição indiana refere 300 doenças curáveis pela Moringa. Os cientistas contemporâneos confirmam esta espectacular capacidade profiláctica e curativa.
Em Oman, o óleo de Moringa é aplicado contra as dores de estômago e no Haiti as folhas e flores são preparadas como chás utilizados na cura das gripes. No Malawi usam-se as folhas secas para curar diarreias.
ConcluindoPodem-se plantar cercas verdes, muros vegetais, junto de todas as escolas, igrejas, hospitais e outros eventuais centros públicos. Esses taludes ecológicos teriam Moringas de metro em metro, conjugando-se com amoras, figos da Índia, cenouras, alhos e outras plantas úteis, para alimentar o povo.
Como adquirir sementes de Moringa?
Existem vários sítios na Europa que disponibilizam essas sementes.
No Brasil podem-se comprar na esplar@esplar.org.br
Se não se encontrar em Angola, poderá ser possível obtê-la através do Malawi.
Sejemos Colibris Moringueiros continuando na nossa Esteira do Ambiente porque, mesmo longe uns dos outros estaremos juntos neste mesmo desejo de melhorar o planeta e os homens.
A árvore Moringa de que vos falo é a Moringa Oleífera - Moringa pterygosperma.A plantação da Moringa pode resultar dum acto de militância ecológica individual mas pode, para maior eficácia, inserir-se num projecto mais global.
Qualquer dessas atitudes é louvável e permite, desde já, o início duma acção consciente, a bem da causa comum.
A ideia de um projecto colectivo para uma maior eficácia e acção participativa, tem sido realizada em vários países. Lembro aqui a experiência feita no Brasil, através da Fundação Deusmar Queirós com o apoio de várias universidades e organizações ligadas à igreja. Este projecto no Brasil foi levado a cabo na zona do Nordeste, no Estado do Ceará. A preparação dessa acção foi longa e contou com vários organismos (universidade, igreja, correios, rádio, etc.). O início da operação fez-se em 10 de Abril de 2000 com a distribuição de 30.000 kits que continham instruções para semear e 4 sementes de Moringa oleifera.
Em 2001 obtiveram-se resultados muito positivos pois 65% das sementes germinaram. A Unesco reconheceu esta actividade como uma forma de tecnologia social que contribui para a prevenção de doenças.
Em 2003, 160.000 sementes foram distribuídas em 84 localidades do Estado do Ceará, tornando-se esta campanha num verdadeiro sucesso que teve a parceria de várias universidades brasileiras.
No caso de Angola valerá a pena, em acção comunicativa, planearmos o modo como a Esteira do Ambiente poderá articular-se em parceria com a Universidade e com organizações sócio-culturais.
Aqui, em Portugal, iniciamos em 2005 uma plantação de um viveiro de Moringas oleiferas. É um viveiro pequeno e ainda não produziu sementes. Estamos a estudar a hipótese de alargar o viveiro. Daremos notícias posteriormente.
Para a organização desse viveiro seguimos uma tecnologia muito simples, utilizada por Emmanuel Roland e que consiste na reutilização de garrafas de plástico como mini-estufa para cada semente.
Descrevemos este processo que podem consultar na internet:
Ver arquivo Novº2005 - Emmanuel Rolland
Ver também Setº 2005 - Guerrilha verde nas cidadesOutº2005 - Desenvolvimento Ecologicamente Sustentado
Maio 2006-Universidade Experimental do Meio Ambiente
Novº 2006-Josephe Beuys...
Todos estes artigos podem ser reproduzidos livremente assim como os artigos que publiquei no Jornal A Página da Educação, disponíveis no site: http://www.apagina.pt (ver arquivo-autor-Jacinto Rodrigues)
Alguns destes artigos foram publicado no meu livro "Sociedade e Território - Desenvolvimento Ecologicamente Sustentado", Profedições, Porto, 2006.
Jacinto Rodrigues
Dezembro de 2006
Feliz Natal Moringueiro"
09/10/09
Álbum do Caderno de Campo da Viagem a Angola - Julho-Agosto 2009
Os textos aqui reproduzidos são apenas alguns parágrafos extraídos do Relatório da viagem a Angola em Julho e Agosto de 2009, entregue no CEAUP para publicação.
(...)
16 a 18 de Julho
Partida para Malange no jipe da ADRA.
Subimos morros vigorosos por alturas de Ndalatando. A madrugada era esplendorosa.
A 450 kms de Luanda e com 5h de viagem, surgia agora a periferia da cidade de Malange.
Esta província é atravessada pelo rio Kwanza e contém várias etnias, como seja Kimbundo, Cokwe, Kikongo e Umbundo.No carro, conduzido por Simão, ajeitamo-nos da melhor maneira por entre os sacos de viagem, Djalambi, Manteiga, Hildeberta, Álvaro e eu.
No Dondo o café estava encerrado. Seriam umas 5h da manhã quando paramos nesta primeira escala.Subimos morros vigorosos por alturas de Ndalatando. A madrugada era esplendorosa.
A 450 kms de Luanda e com 5h de viagem, surgia agora a periferia da cidade de Malange.
O culto da Rainha Ginga (N’Gingabandi) e do Rei N’gola Kiluanji estão patentes nas estórias e lendas que referem a zona de Pungo Andongo como a capital do reino N’dungo. Aí se assinalam as pegadas atribuídas a estes reis, nas pedras negras.

19 a 26 de Julho
(...) De manhã, partimos no carro do Sr. Toni com o Álvaro Pereira, em direcção a Benguela. Paramos na barra do Kwanza, por alguns minutos, apreciando o viveiro de palmeiras, logo ali, junto ao rio.
19 a 26 de Julho
(...) De manhã, partimos no carro do Sr. Toni com o Álvaro Pereira, em direcção a Benguela. Paramos na barra do Kwanza, por alguns minutos, apreciando o viveiro de palmeiras, logo ali, junto ao rio.
Finalmente chegamos a Benguela.
No dia seguinte visitamos a sede da ADRA, na rua José Estévan.(...) (...) Partimos para o Dombe Grande, conduzidos pelo Zeferino, jovem professor de música na Igreja Protestante e condutor da ADRA, tendo sido o nosso cicerone nesta viagem.
O Dombe Grande estrutura-se em torno duma pequena cidade industrial, espécie de utopia do séc. XIX centrada numa açucareira. As terras, os armazéns, a imensa estrutura industrial, o hospital, a maternidade, o balneário e a fonte são pontos estruturais duma localidade que fez a sua metamorfose em várias décadas, tendo-se consolidado com uma produção de açúcar onde laboraram cerca de 7 mil a 8 mil trabalhadores, nos anos 60 e 70 do século XX.(...)
Algumas caminhadas pela cidade, com a família e com o Álvaro, deram-nos a conhecer Benguela com a sua vida muito mais tranquila do que Luanda e com uma população hospitaleira.Fui com o Professor Doutor Francisco Soares à Universidade de Benguela e pude falar longamente com o Reitor, Doutor Francisco Santos, sobre a cooperação possível inter-universitária. Fui, logo ali, convidado para fazer uma conferência na Universidade e visitar a sede da Fundação nas semanas seguintes.(...)
Duas crianças de 11 e 13 anos, JóJó e Eduardo, tornaram-se amigos do David.
Entabularam conversa connosco. Houve oferta de brinquedos e promessa de correspondência. Porém, nem JóJó nem Eduardo sabiam das possibilidades epistolares do correio. Foi preciso pensar o envio das cartas do David para a Escola Primária que ambos frequentavam. A casa deles, na Sanzala, não tinha nome de rua nem número. Os carteiros não passavam lá… (...)
Nós seguimos de Benguela para o deserto do Namibe, com o Dr. Samuel Aço, Director do Centro de Estudos do Deserto, na sua carrinha. O Dr. Samuel Aço é professor de antropologia na Universidade Agostinho Neto e convidara-me para ser membro fundador do referido centro (CE.DO - Centro de Estudos do Deserto). Só agora, passados quase dois anos, estava a partilhar com ele esta extraordinária aventura de me deslocar ao deserto do Namibe onde o CE.DO está sediado. Ele vinha de Luanda e trazia alguns jovens estudantes, Gamboa, Uíme e Carlos. Dois deles seguiram de autocarro para o Namibe e a Gamboa veio na carrinha connosco. (...)
Conheci o ex-vice-governador, Inácio João Tavares, conhecedor profundo da cidade e da sua história e fui ver o colorido dos panos e os cheiros das várias especiarias no Mercado do Namibe. (...)

(...) Voltamos a Njambasana, Kuroka. Exploramos o território observando Welvitschias, Salvadoras Pérsicas, dunas fósseis, pedras roliças, cristais, etc.
Esta área do vale do Kuroka situa-se numa região de clima seco desértico, muito quente.
Como diz Castanheira Dinis, “a média de precipitação anual é inferior a 100mm e todos os meses do ano se podem considerar secos (…). Trata-se duma região com características do Plistocénico e do Kalahari Superior”.
Interessará estudar cuidadosamente as mudanças climáticas operadas nesta região. O interesse local e internacional deste estudo parece-me relevante e poderá constituir um objectivo da maior importância para o CE.DO (Centro de Estudos do Deserto) (...)




(...) A palavra “Kurocas”, como refere o Padre Carlos Estermann, “é um vocábulo que define mais a geografia do que a etnia. São vários os povos que coexistem ao longo do rio Kuroka: Hubas ou Chimbas, Cuanhocas, Cuepes e Quimbares são alguns dos grupos étnicos que habitam a zona.”
O Padre Carlos Estermann refere que os habitantes do Vale do Kuroka têm sido objecto de observação e estudo desde longa data. O primeiro cronista dos povos do rio Kuroka foi Duarte Pacheco Pereira que, no livro “Esmeralda de Situ Orbis” descreve as populações entre a “mangua das areas” (Porto Alexandre), actual Tômbwa e a “angra das aldeias” (Baía de Moçâmedes), actual Namibe.(...)


(...) Pelas manhãs comíamos na casa do Samuel Aço e da Teresa uma papa de farinha de milho fermentado – maté – ou seja o mingau brasileiro. Esta farinha de milho seca ao sol em cima de lajes de pedra, fermenta ao longo de 4 ou 5 dias. Misturada com leite ou água dá um creme branco.
Na casa do Samuel Aço estavam alojados a arquitecta Cristina Salvador, a antropóloga Cristina Rodrigues e o fotógrafo Jorge Coelho. Na nossa casa ficaram o engenheiro Luís Pedroso e a arquitecta Leonilde Fialho.
Chegaram depois mais participantes: o arquitecto Maurício Ganduglia, a Dra. Fátima Viegas, a D. Emília Almeida, o Arquitecto Artur Lima e o Arquitecto paisagista Luís Mata.(...)
31 de Julho
(...) Voltamos a Luanda.
Pela manhã entrevistamos o Engenheiro Fernando Pacheco, fundador e actual presidente da Assembleia Geral da ADRA que nos deu uma panorâmica sobre a génese desta ONG – Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiental. (...)

Descreveu, em traços largos, a metamorfose desta instituição. Face às sucessivas mudanças político-sociais em Angola, explicitou uma metodologia “passo a passo”, com uma contínua pilotagem através de balanços permanentes ao funcionamento da instituição. A ADRA, afirma-se como uma instituição autónoma e em constante diálogo com a sociedade civil e o governo. (...)
À tarde, tendo sido convidado para uma conferência na sede da ADRA, em Luanda, fiz uma intervenção: “Reflexões sobre Ecosofia: Ecocidadania, Ecodesenvolvimento e Ecotecnologia”. (...)

3 a 5 de Agosto
(...) Com o Engenheiro Luís Pedroso e a Arquitecta Leonilde, membros da ONG Missanga, reflectimos sobre a eco-construção em Angola e planeamos uma viagem de estudo a Camabatela, onde a Missanga está sediada. (...)


(...) Sobre esta temática, registamos em vídeo a entrevista com o Arquitecto Maurício Ganduglia, professor na Universidade Lusíada de Luanda, que trabalha com os Salesianos D. Bosco sobre desenvolvimento e educação. Esta estrutura da Igreja está ligada a uma organização chamada Miserior, conhecida como a Cáritas alemã. (...)

11 de Agosto
(...) Viagem com o Luís Mata em direcção ao Huambo.
Paramos em Catete pois a carrinha estava com problemas no filtro e nos injectores de gasóleo. Dois jovens irmãos mecânicos, o Marcelo e o Luisinho, num pátio com contentores- a garagem do Rufino - resolveram o problema e partimos para o Bongo, passando pelo Dondo, Kibala, Wakuokungo (aldeia nova).
(...) Subimos ao alto do Ama. Atravessamos o cruzamento com a indicação do Lobito, Bié, Huambo e Luanda, em direcção ao Huambo. Era já noite e seguimos para o Bongo onde nos alojamos na Missão Adventista do Bongo, na casa da Gisela e do Luís.
(...) No Huambo, conversa-entrevista filmada com o engenheiro Júnior Chinendele do Gabinete de Planeamento e Urbanismo. (...)
Ao Engº Júnior Chinendele explicitamos os nossos pontos de vista para um eco-urbanismo (energias renováveis, transportes ecológicos – ex. carros de ar comprimido ou eléctricos – hortas municipais e um eco-parque pedagógico e formativo.
Constatamos, após a visita à cidade, a existência de 3 bacias hidrográficas, eixos estruturais verdes, em particular o jardim botânico que visitamos. Filmamos e fotografamos a Casa Ecológica que está a ser renovada.

Entrevista à Dra. Gisela, médica-veterinária, sobre o seu trabalho na ONG alemã WHH (Welt Hunger Hilfe).

13 de Agosto
De madrugada partimos em direcção a Benguela.
Visitamos algumas praias de Benguela – Caota, Caotinha, Praia Azul, Baía Farta, Praia da Macaca.
Às 18h fiz uma conferência sobre “O Desenvolvimento Ecologicamente Sustentável e a Paisagem Urbana” no anfiteatro da Universidade de Benguela. Abertura pelo Reitor Professor Doutor Francisco Santos e apresentação pelo Professor Doutor Francisco Soares.




(...) A palestra centrou-se essencialmente na reflexão sobre 3 cidades:
1. A cidade simbiótica de Kalundborg, em que, através de uma articulação sistémica, se criaram sinergias que melhoraram o nível de vida das populações e aumentou a produção local;
2. A cidade de Freiburg que, graças à energia solar e outras energias alternativas, pretende vir a tornar-se sustentável e até mesmo, de energia positiva. Através da reconversão de desempregados de aeronáutica, a câmara municipal desta cidade alemã, criou novos postos de trabalho em torno da actividade produtiva de protótipos de energias renováveis, nomeadamente painéis termosolares e fotovoltaicos.
3. A cidade de Curitiba que, graças ao desenvolvimento da cidadania nas múltiplas vertentes, favoreceu a reciclagem de lixos em nutrientes, a melhoria dos transportes e a renovabilidade energética.
Articulando necessidades e aspirações, a Câmara Municipal favoreceu uma maior consciência ecológicas e o aumento de participação na gestão da pólis. (...)
14 de Agosto
(...) Visita com o Reitor da Universidade de Benguela à Fundação da Sociedade Projectos Educativos de Angola, na praia da Caotinha. Fotografias. Descrição da Fundação, da praia e da aldeia da Caotinha




Primeira reflexão para um diagnóstico da situação e proposta de trabalho futuro com Pierre Rabhi, Tecsol e Tibá.
Partida de avião para Luanda.(...)
15 de Agosto
(...) Partida, às 5h da manhã, para Camabatela.
Passamos em Catete e Ndalatando, subindo o morro colossal do Binda. A 100km antes das quedas de água de Kalandula, viramos à esquerda na direcção da antiga Ambaca, actual Camabatela.
Paramos no Kilombo, onde os palmeirais verdejantes do jardim botânico deste local, revelavam um ecosistema muito fértil. Aí havia rosas de porcelana e autênticas catedrais de bambus imensos.
Chegados a Camabatela almoçamos na Missão dos Capuchinhos, na casa onde habitam o Luís Pedroso e a Vanessa. (...)


(...) Visita da mata, dos edifícios em adobe, da igreja, dos anexos e das oficinas de carpintaria e cerâmica. Cercas verdes de Buganvílias e de Sansão do Campo. Vedações realizadas pelo padre Joaquim Ribeiro.(...)


21 de Agosto
(...) Depois do almoço, eram 15h quando entramos no carro da Dra. Fátima Viegas em direcção ao Bairro Rocha Pinto, para participar numa investigação sobre a problemática da saúde e religião.
O bairro Rocha Pinto é um bairro com casas degradadas e muito lixo amontoado.
Ao aproximarmo-nos da Igreja Profética Vencedora no Mundo, dirigida pelo Profeta Enoque, ou seja, Jorge Lino Kambundo, passamos por um grande mercado ao longo da rua, com quitandeiras sentadas vendendo fruta, bolachas e baldes de plástico.
Vínhamos com a Dra. Fátima Viegas, socióloga e responsável pelos assuntos religiosos junto do governo, e tínhamos encontro marcado. (...)


(...) Fomos para um pequeno escritório enquanto aguardávamos ser recebidos pelo profeta Enoque. A Dra. Fátima Viegas, já conhecida na igreja, recebeu as boas-vindas. Nós fomos apresentados como estudiosos da Universidade e após as saudações protocolares sobre a nossa bem-vinda e auspiciosa visita, começamos a nossa conversa espontaneamente.
Procuramos esclarecer alguns problemas relacionados com a espiritualidade africana antes mesmo de avançarmos com as questões da terapias espirituais propostas pela Igreja Profética Vencedora no Mundo.
Como tínhamos compulsado alguns materiais teóricos sobre a espiritualidade bantu, quisemos certificar-nos, junto de Lino Kambundo, qual era a postura da sua Igreja em relação às 3 grandes funções mágicas tradicionais: adivinho, curandeiro e feiticeiro.
O profeta assumiu-se de imediato como adivinho, imbuído desde os 23 anos pelo espírito do Anjo Enoque, mostrando assim o seu distanciamento ao curandeirismo tradicional e em particular a ruptura total com a feitiçaria. (...)


(...) A abertura ecológica permite entender que as práticas chamânicas estão ligadas a uma abordagem sistémica do homem e da natureza. Esta perspectiva é particularmente interessante para a emergência do novo paradigma que põe em causa, do meu ponto de vista, a arrogância reducionista da visão da sociedade moderna. (...)
25 de Agosto
(...) Fui convidado pela socióloga, Dra. Fátima Viegas, a proferir uma palestra no ISCED (Instituto Superior Ciências Educação e Desenvolvimento) da Universidade Agostinho Neto.


Esta palestra, registada em vídeo, abordou a temática epistemológica das Ciências Sociais, revelando os vários “véus” que diferenciam a aproximação ideológica da “doxa”, da investigação teórica e fenomenológica das ciências sociais.
Tivemos como fundamento desta abordagem o conceito de complexidade, a metodologia sistémica e o enquadramento dum olhar gerado pela ecosofia. (...)


02/07/09
Conferência "Padre Himalaya - Um homem à frente do seu tempo"
No dia 1 de Julho o Professor Jacinto Rodrigues proferiu uma conferência integrada na "10th International Conference of the Utopian Studies Society/Europe: Far other Worlds and Other Seas" a decorrer no salão nobre da Reitoria da Universidade do Porto até 4 de Julho.
“Father Himalaya: A Man Ahead Of His Time”
University of Porto , 1 July 2009
Jacinto Rodrigues, PhD ,Professor Catedrático
History has revealed many extraordinary men and women who dared to dream of a better world. Among them, we should certainly count the Portuguese thinker Father Himalaya, a multifaceted man, a strong supporter of the civil rights movement, a bold scientist, a pioneer in what came to be termed ecologically-sustained development, and, above all, a man who forged and lived his own utopia.
University of Porto , 1 July 2009
Jacinto Rodrigues, PhD ,Professor Catedrático
History has revealed many extraordinary men and women who dared to dream of a better world. Among them, we should certainly count the Portuguese thinker Father Himalaya, a multifaceted man, a strong supporter of the civil rights movement, a bold scientist, a pioneer in what came to be termed ecologically-sustained development, and, above all, a man who forged and lived his own utopia.
I. The Man
Born in 1868, in Cendufe, a small village in the North of Portugal, Manoel António Gomes soon adopted the nickname devised by his Seminar colleagues – Himalaya –, an enigmatic and meaningful name which combined perfectly with his great ideals and the important scientific breakthroughs in which he was to be the leading protagonist a few years later.
Father Himalaya travelled the world. In addition to Portugal, he lived in Germany, France, England, the United States of America and Argentina. His journeys usually aimed at acquiring knowledge and financial support to work on his many projects.
Before moving to Paris, in 1899, he lived in the city of Porto and worked as a teacher of Chemistry and Physics. This was an important time for Father Himalaya, who published numerous essays in scientific journals during this period.
His interests, his lectures and his writings ranged from Religion to Science, Ecology, Philosophy, Education, and Economics. In 1908, in a Conference held in Viseu, Father Himalaya questioned the causes of the lack of productivity among the Portuguese, a chronically unsolved issue that still inspires many lively debates among our politicians today. In the beginning of the twentieth century, Father Himalaya saw a solution to this problem in Education:
"The fundamental problem that the government has to solve in Portugal is to promote the instruction and education of the people under a practical and utilitarian base. Portuguese people must be taught how to work hard and fast in order to produce as much, as good and as cheap as their foreign brothers". (Himalaya 1908, my translation)
Father Himalaya argued that it was absolutely necessary to surpass the abyss created between thinkers and workers in Portuguese society. He understood the need to invest in a wide range Education that should enable the new generations to better articulate all facets of life, thereby securing their future well being and happiness.
As far as Religion is concerned, Father Himalaya was also a practical and a liberal thinker. In his letters to his brother Gaspar, he reveals much of his progressive thought:
"If I was the Pope, I should consult all the Bishops and all the priests and if their answers were what I believe them to be, I should establish the “Libertaz” and allow marriage". (Himalaya 1929, my translation
"Only the strike of the Catholic sons, running away from priesthood and deserting the Lord’s vineyard, could open the eyes of those who run the Church and make them see that it is a crime to impose, as a fundamental duty, something that the Lord has only advised as a greater mean to sanctification". (Himalaya 1930, my translation)
Not only was Father Himalaya opposed to forced celibacy, but also against other Catholic imposed sacrifices, such as fast days, that, according to him, only drove people away from Catholicism.
Furthermore, Father Himalaya always combined his Religious Faith with his belief in Science:
"Though the Scriptures are a series of general rational laws according to which it is mandatory to distribute among the poor the excess of richness, it is up to Sociological Science to fulfill that humanitarian precept". (Himalaya 1916, my translation)
Scientific knowledge and practice, together with Education, should increasingly lead to the democratisation of all natural resources and, consequently, to a fairest, ecologically sustained and happier world.
A daring man, Father Himalaya never hesitated when new scientific challenges arose, and nothing could keep him from participating in his own experiments. Indeed, it was by testing some of his medicines on himself that he became seriously ill and eventually died, in 1933, without finishing his book on the Mechanics of the Universe.
Born in 1868, in Cendufe, a small village in the North of Portugal, Manoel António Gomes soon adopted the nickname devised by his Seminar colleagues – Himalaya –, an enigmatic and meaningful name which combined perfectly with his great ideals and the important scientific breakthroughs in which he was to be the leading protagonist a few years later.
Father Himalaya travelled the world. In addition to Portugal, he lived in Germany, France, England, the United States of America and Argentina. His journeys usually aimed at acquiring knowledge and financial support to work on his many projects.
Before moving to Paris, in 1899, he lived in the city of Porto and worked as a teacher of Chemistry and Physics. This was an important time for Father Himalaya, who published numerous essays in scientific journals during this period.
His interests, his lectures and his writings ranged from Religion to Science, Ecology, Philosophy, Education, and Economics. In 1908, in a Conference held in Viseu, Father Himalaya questioned the causes of the lack of productivity among the Portuguese, a chronically unsolved issue that still inspires many lively debates among our politicians today. In the beginning of the twentieth century, Father Himalaya saw a solution to this problem in Education:
"The fundamental problem that the government has to solve in Portugal is to promote the instruction and education of the people under a practical and utilitarian base. Portuguese people must be taught how to work hard and fast in order to produce as much, as good and as cheap as their foreign brothers". (Himalaya 1908, my translation)
Father Himalaya argued that it was absolutely necessary to surpass the abyss created between thinkers and workers in Portuguese society. He understood the need to invest in a wide range Education that should enable the new generations to better articulate all facets of life, thereby securing their future well being and happiness.
As far as Religion is concerned, Father Himalaya was also a practical and a liberal thinker. In his letters to his brother Gaspar, he reveals much of his progressive thought:
"If I was the Pope, I should consult all the Bishops and all the priests and if their answers were what I believe them to be, I should establish the “Libertaz” and allow marriage". (Himalaya 1929, my translation
"Only the strike of the Catholic sons, running away from priesthood and deserting the Lord’s vineyard, could open the eyes of those who run the Church and make them see that it is a crime to impose, as a fundamental duty, something that the Lord has only advised as a greater mean to sanctification". (Himalaya 1930, my translation)
Not only was Father Himalaya opposed to forced celibacy, but also against other Catholic imposed sacrifices, such as fast days, that, according to him, only drove people away from Catholicism.
Furthermore, Father Himalaya always combined his Religious Faith with his belief in Science:
"Though the Scriptures are a series of general rational laws according to which it is mandatory to distribute among the poor the excess of richness, it is up to Sociological Science to fulfill that humanitarian precept". (Himalaya 1916, my translation)
Scientific knowledge and practice, together with Education, should increasingly lead to the democratisation of all natural resources and, consequently, to a fairest, ecologically sustained and happier world.
A daring man, Father Himalaya never hesitated when new scientific challenges arose, and nothing could keep him from participating in his own experiments. Indeed, it was by testing some of his medicines on himself that he became seriously ill and eventually died, in 1933, without finishing his book on the Mechanics of the Universe.
II. The Scientist
Father Himalaya was only seventeen when he built a machine that could transform nitrogen – a gas without colour, taste or smell that occurs in large quantities in the earth’s atmosphere –, and increase the fertility of the soil. He didn’t take out a patent for his invention, though, and, a few years later, a German citizen obtained it for a similar machine.
Father Himalaya’s interest in plants and their medicinal properties led him to initiate a thorough research on the subject and to create various natural medicines. One of these – the Organic Salts – was successfully commercialised at the time. Father Himalaya was, furthermore, a strenuous critic of Traditional Medicine and the economic games that it fostered. In his annotations to Sebastian Kneipp’s book on water treatments, he observed:
"Medicines used in traditional medical treatments (…) have no healing virtues. They are expensive and unknown to both patients and doctors. They are toxic or poisonous and sometimes they are approved by the academies due to the intervention of the money god. Finally, they are created by industrial enterprises ruled solely by the thirst of gold". (Himalaya 1896, my translation)
Nonetheless, Father Himalaya’s greatest scientific achievements were yet to come. In 1900, he began his experiments on solar energy in Sorede, France. The Pyrheliophoro was a gigantic solar furnace with equally gigantic lens that received solar energy and transformed it into electricity. After a few failed attempts to keep the first prototypes working, a new machine was built and presented, in 1904, in St. Louis, at the World’s Great Exhibition, the highest exponent of technological sophistication.
The enthusiasm of both the visitors and the press was overwhelming. The “New York Times”, the “Sunday Magazine” and the “Republic” all devoted their first pages to Father Himalaya’s engine. An amazed crowd stared at the enormous machine whichoccupied 80 squared meters and reached 3500 Celsius in temperature. When Father Himalaya placed the furnace closer to the refractory focal point, everything melted. Granite and basalt instantly liquefied. The Exhibition Jury awarded Father Himalaya the first prize and the Portuguese scientist forever inscribed his name in the history of renewable energies.
Despite this enormous success, the Pyrheliophoro was never commercialised. It was too expensive to be used in Industry and, above all, its principles were contrary to the ruling Economy based on fuel.
Still living in the United States, more precisely in Washington, Father Himalaya soon began to work on a new invention. This time, it was an innovative kind of non-polluting explosive that occupied his mind. He called it ‘Himalayite’. It was derived from products of vegetal and mineral origin which were cheap and easy to obtain. This explosive had no warlike purposes. It should be exclusively used in mines and other economic activities.
Back in Portugal, Father Himalaya gathered enough support to create one enterprise – the Himalayite Company – which began the production of explosives in 1911. The himalayite cartridges were used in many campaigns of forestation endorsed by Father Himalaya. The explosive was used to make the holes where new trees were planted.
In addition to the Pyrheliophoro and the himalayite explosive, Father Himalaya was also the inventor of a direct engine and a turbo-engine; a new type of flour derived from a mixture of small crustaceans and bran; and a recycling sewage system to produce fertilisers.
In 1908, he publicly presented a National Plan to decentralise dams and irrigate the whole country through a system of canals. This plan also pointed out the many advantages of using renewable sources of energy. Thus, Father Himalaya inaugurated in Portugal a hundred years ago, the concept of ecologically-sustained development.
III. The Visionary
In spite of being a Catholic Priest, Father Himalaya didn’t endorse the belief that happiness was something to be achieved after death. Like most utopians, who “practice a politics of everyday life, placing a premium on inventing and describing social arrangements designed to create an environment in which latent capacities for individual happiness can be fulfilled” (Gordon 2005:363), Father Himalaya insisted that humanity possesses all resources to build a better society here and now. It only takes the courage, the energy and the imagination to do it.
The time when Utopia was understood as an ideal to be conquered or a perfect place waiting to be found is far gone. Instead, Utopia came to be seen as a drive for continuous transformation. And there is nothing better than the life and work of pioneers like Father Himalaya to illustrate this inner desire to change the world through effective action.
Father Himalaya was, indeed, a man of action who struggled to put his ideas, his inventions and his scientific breakthroughs at the service of others. He was also a visionary, who strove to decode Nature’s best hidden secrets, and a holistic thinker whose proposals, briefly summarised in the following lines, remain, almost one century later, undeniably up to date:
- sustainable development and a prosperous future depend on the use of solar energy and other renewable forms of energy;
- waste should be recycled and turned into agricultural fertiliser;
- water should be a public utility, decentralised through irrigation and multiple reservoirs integrated in ecosystems. Biodiversity should be extended to rural and urban areas through forestation;
- training and education should foster a closer link between human beings and nature, through farms, gardens, and forests that should increasingly become essential for autonomy and sustainability;
- health should be promoted through disease prevention based on healthy food and a healthy life style.
Healthy food should not include the eating of any animal. Father Himalaya’s views on this matter were quite clear: “Human beings are currently living on the leftovers of death, that is, on meat and fish; it’s no wonder that they walk steadfastly towards the sinister hand that feeds them” (Himalaya 1908, my translation).
Thus, the legacy of Father Himalaya, though still unknown by many, should not be disregarded. It is, in fact, amazing how much of what he envisaged, one century ago, is yet to be done. In 1913, in an interview to the newspaper “O Século”, he identified this Portuguese paradox: an exceptional capacity to dream walking side by side with a provincial inertia.
One thing more has to be said about Father Himalaya: his vision was not supported, at the time, because it was not viable, in financial terms. But I believe that we should remember Father Himalaya not because of the machines he invented, but because of the vision that he offered, based on the use of those machines. With his Pyrheliophoro, Father Himalaya hoped that energy would be offered without charge to all the population. This would be but the beginning of a happier time, partly forged by scientific discoveries, partly motivated by the kindness of men.
Father Himalaya was only seventeen when he built a machine that could transform nitrogen – a gas without colour, taste or smell that occurs in large quantities in the earth’s atmosphere –, and increase the fertility of the soil. He didn’t take out a patent for his invention, though, and, a few years later, a German citizen obtained it for a similar machine.
Father Himalaya’s interest in plants and their medicinal properties led him to initiate a thorough research on the subject and to create various natural medicines. One of these – the Organic Salts – was successfully commercialised at the time. Father Himalaya was, furthermore, a strenuous critic of Traditional Medicine and the economic games that it fostered. In his annotations to Sebastian Kneipp’s book on water treatments, he observed:
"Medicines used in traditional medical treatments (…) have no healing virtues. They are expensive and unknown to both patients and doctors. They are toxic or poisonous and sometimes they are approved by the academies due to the intervention of the money god. Finally, they are created by industrial enterprises ruled solely by the thirst of gold". (Himalaya 1896, my translation)
Nonetheless, Father Himalaya’s greatest scientific achievements were yet to come. In 1900, he began his experiments on solar energy in Sorede, France. The Pyrheliophoro was a gigantic solar furnace with equally gigantic lens that received solar energy and transformed it into electricity. After a few failed attempts to keep the first prototypes working, a new machine was built and presented, in 1904, in St. Louis, at the World’s Great Exhibition, the highest exponent of technological sophistication.
The enthusiasm of both the visitors and the press was overwhelming. The “New York Times”, the “Sunday Magazine” and the “Republic” all devoted their first pages to Father Himalaya’s engine. An amazed crowd stared at the enormous machine whichoccupied 80 squared meters and reached 3500 Celsius in temperature. When Father Himalaya placed the furnace closer to the refractory focal point, everything melted. Granite and basalt instantly liquefied. The Exhibition Jury awarded Father Himalaya the first prize and the Portuguese scientist forever inscribed his name in the history of renewable energies.
Despite this enormous success, the Pyrheliophoro was never commercialised. It was too expensive to be used in Industry and, above all, its principles were contrary to the ruling Economy based on fuel.
Still living in the United States, more precisely in Washington, Father Himalaya soon began to work on a new invention. This time, it was an innovative kind of non-polluting explosive that occupied his mind. He called it ‘Himalayite’. It was derived from products of vegetal and mineral origin which were cheap and easy to obtain. This explosive had no warlike purposes. It should be exclusively used in mines and other economic activities.
Back in Portugal, Father Himalaya gathered enough support to create one enterprise – the Himalayite Company – which began the production of explosives in 1911. The himalayite cartridges were used in many campaigns of forestation endorsed by Father Himalaya. The explosive was used to make the holes where new trees were planted.
In addition to the Pyrheliophoro and the himalayite explosive, Father Himalaya was also the inventor of a direct engine and a turbo-engine; a new type of flour derived from a mixture of small crustaceans and bran; and a recycling sewage system to produce fertilisers.
In 1908, he publicly presented a National Plan to decentralise dams and irrigate the whole country through a system of canals. This plan also pointed out the many advantages of using renewable sources of energy. Thus, Father Himalaya inaugurated in Portugal a hundred years ago, the concept of ecologically-sustained development.
III. The Visionary
In spite of being a Catholic Priest, Father Himalaya didn’t endorse the belief that happiness was something to be achieved after death. Like most utopians, who “practice a politics of everyday life, placing a premium on inventing and describing social arrangements designed to create an environment in which latent capacities for individual happiness can be fulfilled” (Gordon 2005:363), Father Himalaya insisted that humanity possesses all resources to build a better society here and now. It only takes the courage, the energy and the imagination to do it.
The time when Utopia was understood as an ideal to be conquered or a perfect place waiting to be found is far gone. Instead, Utopia came to be seen as a drive for continuous transformation. And there is nothing better than the life and work of pioneers like Father Himalaya to illustrate this inner desire to change the world through effective action.
Father Himalaya was, indeed, a man of action who struggled to put his ideas, his inventions and his scientific breakthroughs at the service of others. He was also a visionary, who strove to decode Nature’s best hidden secrets, and a holistic thinker whose proposals, briefly summarised in the following lines, remain, almost one century later, undeniably up to date:
- sustainable development and a prosperous future depend on the use of solar energy and other renewable forms of energy;
- waste should be recycled and turned into agricultural fertiliser;
- water should be a public utility, decentralised through irrigation and multiple reservoirs integrated in ecosystems. Biodiversity should be extended to rural and urban areas through forestation;
- training and education should foster a closer link between human beings and nature, through farms, gardens, and forests that should increasingly become essential for autonomy and sustainability;
- health should be promoted through disease prevention based on healthy food and a healthy life style.
Healthy food should not include the eating of any animal. Father Himalaya’s views on this matter were quite clear: “Human beings are currently living on the leftovers of death, that is, on meat and fish; it’s no wonder that they walk steadfastly towards the sinister hand that feeds them” (Himalaya 1908, my translation).
Thus, the legacy of Father Himalaya, though still unknown by many, should not be disregarded. It is, in fact, amazing how much of what he envisaged, one century ago, is yet to be done. In 1913, in an interview to the newspaper “O Século”, he identified this Portuguese paradox: an exceptional capacity to dream walking side by side with a provincial inertia.
One thing more has to be said about Father Himalaya: his vision was not supported, at the time, because it was not viable, in financial terms. But I believe that we should remember Father Himalaya not because of the machines he invented, but because of the vision that he offered, based on the use of those machines. With his Pyrheliophoro, Father Himalaya hoped that energy would be offered without charge to all the population. This would be but the beginning of a happier time, partly forged by scientific discoveries, partly motivated by the kindness of men.
01/07/09
VIAGEM A MONSERRAT E MANRESA - Catalunha
A leitura de alguns livros aguçaram-me a vontade de visitar a montanha de Monserrat.
Em primeiro lugar o livro de Octavi Piulats – Goethe y Monserrat– Ediciones Solsona 2001.
O livro relaciona esta atracção poética pelas paisagens montanhosas com o romantismo. Trata-se dessa aptência límbica que atrai o nosso imaginal para o êxtase em que Petrarca se deixou arrastar quando fez a ascenção ao monte Ventoux.
Este eixo de verticalidade que nos atrai da terra para o cosmos constitui o arquétipo da iniciação desejada. Simbolicamente é o enebriamento vivido quando se deixa a obscuridade da caverna e se ascende à montanha sagrada. Imanência e transcendência que é também a alternância pendular do dia e da noite.
Esta iniciação fê-la Ignácio de Loyola. Piulats descreve no referido livro a peregrinação de Ignácio entre a “cova” em que se refugiara durante dias, em Manresa, e depois a subida ao mosteiro beneditino no cume de Monserrat. O livro conta-nos também a viagem de Alexandre Humboldt. A subida a pé à misteriosa montanha mágica é descrita por ele numa carta a Goethe. E assim, a mágica imagem da montanha alimenta o romantismo dessa geração. No livro de Piulats há ainda a estranha visita de Beuys a Manresa. Beuys parece engrandecer Ignácio de Loyola pela forma iniciática como empreende a sua mudança de vida. Parece assim querer distinguir a personagem de Loyola das várias modificações ou recuperações do movimento jesuíta face à igreja católica. É curiosa a peça escultórica que realizou. Simbolismo esotérico para os dias de hoje, marcação dum momento significativo de um homem que se transformou a si próprio metamorfoseando o saber em nova vontade que faz nascer uma personalidade livre.
Já Max Stirner tinha denunciado o “falso princípio da nossa educação” que apenas pretende adestrar para melhor reproduzir o que dominantemente nos querem inculcar.

Um outro livro, “Leonardo, Los años perdidos”, de José Luis Espejo, Ediciones El Anden, Barcelona 2008, constitui uma outra vertente para a viagem que preparei para Monserrat.
O que é mais curioso no livro é o estudo e a pesquisa que José Luis Espejo faz sobre a eventual peregrinação de Leonardo da Vinci a Monserrat. As provas estariam em vários dados, ou prenúncios de dados, susceptíveis de defender essa tese:
a) a família de Leonardo estaria ligada ao Catarismo e um tio fugira mesmo para Barcelona;
b) As montanhas de Monserrat aparecem no fundo do quadro da Gioconda;
c) O sorriso de Mona Lisa seria o mesmo sorriso da virgem Negra;
d) Os cadernos de Leonardo conterão pistas dessa viagem às terras catalanas e à montanha mágica de Monserrat...
Tudo isso e muito mais, pode ser elocubração parafrénica. Mas pode não ser. O autor, de formação histórica, adverte-nos da sua perplexidade ao longo dos estudos que fez e assegura-nos de que estas suas preocupações foram muito anteriores aos sucessos literários do “Codigo da Vinci”, sobre o qual, aliás, emite juízos bastante críticos no que concerne á veleidade histórica em que se fundamenta o romance. Assim, o livro de Jose Luis Espejo é um exercício de desocultação gnóstica, de hermenêutica complexa em que importa não aceitar aparências mas multplicar caminhos novos para a investigação mesmo sabendo que nunca se chega a uma verdade única.


Em Manresa contentamo-nos em ver por fora ”a cova”, ou seja, a gruta onde Ignácio se acolheu. A rochosa protuberância que guarda no seu recôndito sombrio e silencioso, o lugar de recolhimento onde esteve o postulante de Loyola, foi coberta por um manto granítico que é o convento, construído mais tarde quando Ignácio de Loyola ganhara a aura de santidade católica. A porta do convento estava encerrada. Mas lembro-me bem de há uns anos ter visto a “cova” e aí meditar sobre a experiência daquele peregrino que mudou, por dentro, a sobranceria de militar em pobre enfermeiro de leprosos, entulhados num abandonado hospital de Manresa. 
Estávamos nas vésperas de Maio de 68. Para muitos sentia-se a necessidade, depois da tentativa de igualdade jurídica afirmada pela revolução francesa, do esboço da fraternidade económico-social prometida pela revolução russa de l917. Era chegada a hora da liberdade criativa se fazer ecoar na esperança da juventude daquela primavera de 1968. Beuys seguramente sabia da necessidade de transformar o saber em vontade livre para criar um outro mundo possível de liberdade e pensamento intuitivo, imaginativo e inspirado.
Joseph Beuys deixou as marcas. Vi os carvalhos que plantou em Kassel. Vi as árvores verdes crescendo e ramificarem-se no meio da cidade.
De Manresa foi subindo Ignácio até ao convento em busca do Graal.!
Beuys experimentaria a solidão da gruta e o esplendor luminoso no cume de Monserrat.
Em primeiro lugar o livro de Octavi Piulats – Goethe y Monserrat– Ediciones Solsona 2001.
O livro relaciona esta atracção poética pelas paisagens montanhosas com o romantismo. Trata-se dessa aptência límbica que atrai o nosso imaginal para o êxtase em que Petrarca se deixou arrastar quando fez a ascenção ao monte Ventoux.
Este eixo de verticalidade que nos atrai da terra para o cosmos constitui o arquétipo da iniciação desejada. Simbolicamente é o enebriamento vivido quando se deixa a obscuridade da caverna e se ascende à montanha sagrada. Imanência e transcendência que é também a alternância pendular do dia e da noite.
Esta iniciação fê-la Ignácio de Loyola. Piulats descreve no referido livro a peregrinação de Ignácio entre a “cova” em que se refugiara durante dias, em Manresa, e depois a subida ao mosteiro beneditino no cume de Monserrat. O livro conta-nos também a viagem de Alexandre Humboldt. A subida a pé à misteriosa montanha mágica é descrita por ele numa carta a Goethe. E assim, a mágica imagem da montanha alimenta o romantismo dessa geração. No livro de Piulats há ainda a estranha visita de Beuys a Manresa. Beuys parece engrandecer Ignácio de Loyola pela forma iniciática como empreende a sua mudança de vida. Parece assim querer distinguir a personagem de Loyola das várias modificações ou recuperações do movimento jesuíta face à igreja católica. É curiosa a peça escultórica que realizou. Simbolismo esotérico para os dias de hoje, marcação dum momento significativo de um homem que se transformou a si próprio metamorfoseando o saber em nova vontade que faz nascer uma personalidade livre.
Já Max Stirner tinha denunciado o “falso princípio da nossa educação” que apenas pretende adestrar para melhor reproduzir o que dominantemente nos querem inculcar.
Um outro livro, “Leonardo, Los años perdidos”, de José Luis Espejo, Ediciones El Anden, Barcelona 2008, constitui uma outra vertente para a viagem que preparei para Monserrat.
O que é mais curioso no livro é o estudo e a pesquisa que José Luis Espejo faz sobre a eventual peregrinação de Leonardo da Vinci a Monserrat. As provas estariam em vários dados, ou prenúncios de dados, susceptíveis de defender essa tese:
a) a família de Leonardo estaria ligada ao Catarismo e um tio fugira mesmo para Barcelona;
b) As montanhas de Monserrat aparecem no fundo do quadro da Gioconda;
c) O sorriso de Mona Lisa seria o mesmo sorriso da virgem Negra;
d) Os cadernos de Leonardo conterão pistas dessa viagem às terras catalanas e à montanha mágica de Monserrat...
Tudo isso e muito mais, pode ser elocubração parafrénica. Mas pode não ser. O autor, de formação histórica, adverte-nos da sua perplexidade ao longo dos estudos que fez e assegura-nos de que estas suas preocupações foram muito anteriores aos sucessos literários do “Codigo da Vinci”, sobre o qual, aliás, emite juízos bastante críticos no que concerne á veleidade histórica em que se fundamenta o romance. Assim, o livro de Jose Luis Espejo é um exercício de desocultação gnóstica, de hermenêutica complexa em que importa não aceitar aparências mas multplicar caminhos novos para a investigação mesmo sabendo que nunca se chega a uma verdade única.
Assim, municiados com esta literatura em mente, partimos da casa do Luis Romani, em Les Toezes, cerca das 9 horas da manhã. A Rosa, o Luís, o Emanuel e eu éramos “os buscadores de verdade “dessa peregrinação a Monserrat e Manresa. O Luís, dada a sua “catalanidade”, servia de guia topográfico. Mas da viagem na alma éramos todos responsáveis pelo sentido que cada um procurava dar ao caminho. O David, com os seus 9 anos, olhava com espanto as altas serranias que se avistavam e à chegada a Monserrate procurava as vitrinas das lojas que exibiam as virgens negras em mantos dourados.
Em Manresa contentamo-nos em ver por fora ”a cova”, ou seja, a gruta onde Ignácio se acolheu. A rochosa protuberância que guarda no seu recôndito sombrio e silencioso, o lugar de recolhimento onde esteve o postulante de Loyola, foi coberta por um manto granítico que é o convento, construído mais tarde quando Ignácio de Loyola ganhara a aura de santidade católica. A porta do convento estava encerrada. Mas lembro-me bem de há uns anos ter visto a “cova” e aí meditar sobre a experiência daquele peregrino que mudou, por dentro, a sobranceria de militar em pobre enfermeiro de leprosos, entulhados num abandonado hospital de Manresa.
Fomos ver aquela cruz, espécie de cruzeiro, onde esteve Ignácio olhando o vale do paraíso onde se ergue ao fundo, em filigrana, a silhueta da montanha mágica de Monserrat. Foi na ascensão à montanha que Ignácio teve êxtases duma nova vida, deixando para sempre a espada do soldado que fora.
Joseph Beuys teria tido um frémito semelhante naquele ano de 1967 quando, em Manresa, se pôs a realizar aquela estranha escultura de ferro.
Joseph Beuys teria tido um frémito semelhante naquele ano de 1967 quando, em Manresa, se pôs a realizar aquela estranha escultura de ferro.
Estávamos nas vésperas de Maio de 68. Para muitos sentia-se a necessidade, depois da tentativa de igualdade jurídica afirmada pela revolução francesa, do esboço da fraternidade económico-social prometida pela revolução russa de l917. Era chegada a hora da liberdade criativa se fazer ecoar na esperança da juventude daquela primavera de 1968. Beuys seguramente sabia da necessidade de transformar o saber em vontade livre para criar um outro mundo possível de liberdade e pensamento intuitivo, imaginativo e inspirado.
Joseph Beuys deixou as marcas. Vi os carvalhos que plantou em Kassel. Vi as árvores verdes crescendo e ramificarem-se no meio da cidade.
De Manresa foi subindo Ignácio até ao convento em busca do Graal.!
Beuys experimentaria a solidão da gruta e o esplendor luminoso no cume de Monserrat.
Nós também fomos até lá.
O novo órgão ensaiava um canto chão no interior da igreja.
Alvejamos por entre a fila de visitantes a virgem Negra. Comparei a escultura ali presente com a imagem da Gioconda de Leonardo que recordei… Pareceu-me de facto o mesmo sorriso enigmático e subtil!
19/06/09
Homenagem a Henrique Westenfeld e uma ida ao Museu Soares dos Reis em busca de Else Althausse Westenfeld
Quando conhecemos o senhor Henrique Westenfeld ele tinha já 80 anos mas era ainda um ancião cheio de força. Os passos eram vigorosos e a voz explicitava uma vontade firme.
Todas as semanas, durante vários anos, encontrava-se com um pequeno grupo de pessoas, numa casa da rua Firmeza. Havia nesse grupo jovens e menos jovens.
Henrique Westenfeld começava por expor temas sobre a filosofia da liberdade. Expunha ideias sobre o auto-desenvolvimento do homem e a conquista do nosso próprio destino.
Este grupo viria a ser, nos anos 80, o núcleo que lançaria as bases para a fundação da sociedade antroposófica em Portugal, fundada num encontro realizado na Nazaré, de que Henrique Westenfeld foi o primeiro presidente, articulando os vários núcleos existentes no país, Lisboa, Porto e S. Romão.
Também Westenfeld, juntamente com Walter Yung, deram os primeiros passos para a criação duma escola de pedagogia curativa em S. Romão – Seia, na Serra da Estrela em que estavam envolvidos portugueses, holandeses e alemães.
Naquele tempo, nós, na Escola de Belas-Artes falávamos na “encomenda social” e na maneira como a escola deveria responder a essa necessidade. Muitas vezes o velho senhor Westenfeld perguntava:
- Como sabemos se a encomenda social é justa? Não será que a educação deveria essencialmente pautar-se pelo interesse criativo e individual?
Foi assim que por essa altura ajudamos à vinda de uma escola livre Waldorf, de Stuttgart, Alemanha. Essa escola pareceu-nos uma alternativa à escola empresa ou à escola do estado.
O senhor Henrique Westenfeld continuou por longos anos um trabalho de reflexão e leitura sobre a vida e a obra de Rudolf Steiner.
Ao longo desses vários anos continuaria a vir da sua aldeia de Couto Esteves até ao Porto para participar e animar as conversas do pequeno grupo que se reunia às 4ªs feiras na rua da Firmeza.
Falou-nos várias vezes de alquimia, agricultura biodinâmica e da reincarnação.
Promoveu a divulgação de exercícios meditativos que ele próprio traduzia da obra de Steiner.
Entre os temas que aflorava mostrava especial interesse pela história de arte.
Fiquei então a saber que a sua mulher, da qual enviuvara, tinha sido pintora. Tomei conhecimento de pequenos desenhos e aguarelas subtis de Else Althausse Westenfeld.
Passaram-se anos e aquele homem vigoroso, depois de uma pneumonia, morreu aos 92 anos.
Relatou-nos a sua vivência numa pequena comunidade de artistas e homens de letras que decidiram ir viver para uma pequena aldeia entre o Vale do Jamor e a Serra da Arrábida – Linda-a-Pastora.
Casara com uma jovem pintora, Else Althausse, que chegara a Portugal vinda da Alemanha, em 1924 e que viera trabalhar como ilustradora da Revista ABC.
A morte prematura de Else, em 1936, resulta duma doença grave (síndroma de Adison). Tomara-a de surpresa, ainda jovem.
Em frente da paisagem das grandes serranias, Westenfeld viveria ainda longos anos com a D. Augusta, mulher do povo daquela pacata aldeia, que acolheu com hospitalidade o estranho mas amável e solidário cidadão, o alemão português Henrique Delgado Westenfeld. Era o ancião que todos saudavam e respeitavam.
Escrevera romances, de fundo autobiográfico e sempre imbuídos da sua visão espiritual, que nunca chegou a publicar por desinteresse dos editores em Lisboa (A Paciência que os Deuses têm, Linda-a-Flor e Festa no Roseiral).
No entanto publicou alguns artigos dispersos em jornais e revistas, quase todos não assinados e por isso de difícil identificação.
O jornal de Sever do Vouga publicou-lhe alguns artigos, assinados, que revelam as suas preocupações esotéricas.
Pertenceu à Associação de Jornalistas com sede no Porto.
Porém, é na imprensa alemã, que Henrique Westenfeld teve mais sucesso.
Publicou um livro histórico, “Wilcabamba” sobre a civilização pré-colombiana na América Latina e ainda numerosos artigos na revista “Das Goetheanum” da Antroposophische Gesellschaft.
Deixou também inéditos em língua alemã, destacando-se uma pequena história secreta de Portugal, onde o autor pretende descriptar o sentido histórico de alguns movimentos ocultistas que actuaram em Portugal.
Este ano, 2009, em Maio último, fomos a um passeio a Sever do Vouga. Fomos ver a paisagem de árvores frondosas que se estendem entre a serra da Freita e o Buçaco, por entre o vale do Vouga. Paramos em Couto de Esteves.
Lembrei-me então deste meu velho amigo que ali morrera. Descobri, graças ao dr. Mário Silva, professora Rosa e D. Carolina que se comemora este ano, os 25 anos duma associação fundada ali por Henrique Westenfeld.
Soube ainda que existiam velhos papéis e alguns livros da sua biblioteca.
Este homem solitário nunca deixara, porém, de conviver com gente popular e com aqueles que, como ele, se tornaram “buscadores de verdade”.
Desses velhos papéis tirei estas pequenas notas que dão informações sobre o seu trabalho espiritual meditativo e a sua longa tarefa de animador em grupos dispersos pelo país onde, ao longo dos anos 20 até aos anos 80, se encontrou com gente de vários sectores, desde o cirurgião oncológico Carlos Santos, o Dr. Gentil Berger, a família Abecassis, João Quaresma, José Figueiredo e inúmeros alemães com quem conviveu e se correspondeu, Dr. Fritz Schnurmann, Emil Spittler, Paul e Walter Yung, etc.
Refotografei velhas fotografias, de que aqui reproduzo algumas e que constituem o contexto da sua história de vida.
Depois, para relembrar todo este encontro com Henrique Westenfeld, visitei o museu Soares dos Reis, onde se encontrava o espólio da sua esposa alemã.
A Dra. Ana Paula mostrou-me as aguarelas e os desenhos de Else Althausse que Henrique Westenfeld cuidadosamente entregara ao cuidado deste Museu.
Este espólio é constituído por aguarelas subtis de cores matizadas. Fazem lembrar o gosto pela arte nova e “Art Déco”.
Muitos dos desenhos expressam temas infantis para contos de fadas e das Mil e Uma Noites. Algumas imagens traduzem ambientes esotéricos que revelam preocupações espirituais do casal.
Fico tocado pela subtileza poética e pela intensidade emotiva das aguarelas.
Observei ainda algumas folhas da revista do ABCzinho e embora a má qualidade da reprodução tipográfica de algumas imagens seja notória, os desenhos são de uma grande sensibilidade, ternura e por vezes até divertidos.
Essa sua relíquia preciosa, o espólio que Henrique Westenfeld entregara ao museu, era a expressão duma grande paixão.
O artigo publicado na revista cultural do museu e que surge na altura da entrega do espólio, culmina o sentido desta doação. Este artigo está cheio de informações pessoais e constitui um esboço biográfico de valor documental. Não vem no entanto assinado. Mas esse texto é claramente de Henrique Westenfeld como se percebe no rascunho mais longo que existe em sua casa. Apenas por um pudor e notória humildade, quer unicamente homenagear a sua esposa. Quer deixar ali a convicção das suas ideias sobre a reincarnação! A vida poderá ser apenas um lugar de passagem para outras vidas…
Todas as semanas, durante vários anos, encontrava-se com um pequeno grupo de pessoas, numa casa da rua Firmeza. Havia nesse grupo jovens e menos jovens.
Henrique Westenfeld começava por expor temas sobre a filosofia da liberdade. Expunha ideias sobre o auto-desenvolvimento do homem e a conquista do nosso próprio destino.
Este grupo viria a ser, nos anos 80, o núcleo que lançaria as bases para a fundação da sociedade antroposófica em Portugal, fundada num encontro realizado na Nazaré, de que Henrique Westenfeld foi o primeiro presidente, articulando os vários núcleos existentes no país, Lisboa, Porto e S. Romão.
Também Westenfeld, juntamente com Walter Yung, deram os primeiros passos para a criação duma escola de pedagogia curativa em S. Romão – Seia, na Serra da Estrela em que estavam envolvidos portugueses, holandeses e alemães.
Naquele tempo, nós, na Escola de Belas-Artes falávamos na “encomenda social” e na maneira como a escola deveria responder a essa necessidade. Muitas vezes o velho senhor Westenfeld perguntava:
- Como sabemos se a encomenda social é justa? Não será que a educação deveria essencialmente pautar-se pelo interesse criativo e individual?
Foi assim que por essa altura ajudamos à vinda de uma escola livre Waldorf, de Stuttgart, Alemanha. Essa escola pareceu-nos uma alternativa à escola empresa ou à escola do estado.
O senhor Henrique Westenfeld continuou por longos anos um trabalho de reflexão e leitura sobre a vida e a obra de Rudolf Steiner.
Ao longo desses vários anos continuaria a vir da sua aldeia de Couto Esteves até ao Porto para participar e animar as conversas do pequeno grupo que se reunia às 4ªs feiras na rua da Firmeza.
Falou-nos várias vezes de alquimia, agricultura biodinâmica e da reincarnação.
Promoveu a divulgação de exercícios meditativos que ele próprio traduzia da obra de Steiner.
Entre os temas que aflorava mostrava especial interesse pela história de arte.
Fiquei então a saber que a sua mulher, da qual enviuvara, tinha sido pintora. Tomei conhecimento de pequenos desenhos e aguarelas subtis de Else Althausse Westenfeld.
Passaram-se anos e aquele homem vigoroso, depois de uma pneumonia, morreu aos 92 anos.
Recordei sempre a simplicidade e a extraordinária amabilidade deste velho senhor.
Senti, por vezes, a especial inspiração nos temas que tratava. Observei também a profundidade com que falava sobre o romantismo e assuntos da história da filosofia (Paracelso, Jacob Boheme, Goethe, Nietzche e outros).
Às vezes, quando descíamos ao café, contava-nos alguns momentos da sua vida. Lembro os sofrimentos de que padeceu, entre 1916 e 1918, quando foi obrigado a participar como soldado alemão na 1ª guerra mundial, vindo a tornar-se prisioneiro dos ingleses no final deste conflito.
Embora tivesse nascido em Portugal e fosse filho de mãe portuguesa, foi para a Alemanha acompanhando o seu pai, alemão, em virtude das dificuldades em permanecer em Portugal devido à política aliancista do governo português que consideraria os alemães como inimigos públicos.
Ouvi-lhe muitas vezes falar do seu regresso a Portugal em 1922 e recordar os tempos em que percorreu com amigos as praias da Caparica e a Serra da Arrábida.
Senti, por vezes, a especial inspiração nos temas que tratava. Observei também a profundidade com que falava sobre o romantismo e assuntos da história da filosofia (Paracelso, Jacob Boheme, Goethe, Nietzche e outros).
Às vezes, quando descíamos ao café, contava-nos alguns momentos da sua vida. Lembro os sofrimentos de que padeceu, entre 1916 e 1918, quando foi obrigado a participar como soldado alemão na 1ª guerra mundial, vindo a tornar-se prisioneiro dos ingleses no final deste conflito.
Embora tivesse nascido em Portugal e fosse filho de mãe portuguesa, foi para a Alemanha acompanhando o seu pai, alemão, em virtude das dificuldades em permanecer em Portugal devido à política aliancista do governo português que consideraria os alemães como inimigos públicos.
Ouvi-lhe muitas vezes falar do seu regresso a Portugal em 1922 e recordar os tempos em que percorreu com amigos as praias da Caparica e a Serra da Arrábida.
Relatou-nos a sua vivência numa pequena comunidade de artistas e homens de letras que decidiram ir viver para uma pequena aldeia entre o Vale do Jamor e a Serra da Arrábida – Linda-a-Pastora.
Casara com uma jovem pintora, Else Althausse, que chegara a Portugal vinda da Alemanha, em 1924 e que viera trabalhar como ilustradora da Revista ABC.
Else Althausse conhecera, na sua vida profissional, Cotineli Telmo, Stuart Carvalhais, Hein Semke, Almada Negreiros, etc.
Convivera com os jovens alemães que se reuniam na Associação Cultural da Embaixada Alemã. Era aí também que Henrique Westenfeld (que assumia a dupla nacionalidade por ter mãe portuguesa) frequentava a tuna e a biblioteca. Desse encontro Else e Henrique criaram laços que se tornaram mais tarde num vínculo matrimonial.
Convivera com os jovens alemães que se reuniam na Associação Cultural da Embaixada Alemã. Era aí também que Henrique Westenfeld (que assumia a dupla nacionalidade por ter mãe portuguesa) frequentava a tuna e a biblioteca. Desse encontro Else e Henrique criaram laços que se tornaram mais tarde num vínculo matrimonial.
A morte prematura de Else, em 1936, resulta duma doença grave (síndroma de Adison). Tomara-a de surpresa, ainda jovem.
Westenfeld relatava todos esses momentos duma forma poética e cheia de emoção comovida. Viveria sempre embebido nesta recordação que alimentava meditativamente.
Anos mais tarde, na aldeia de Couto Esteves, viveu ainda longos anos numa pequena casa que mandara construir, segundo o traço que Else deixara desenhado, prevendo um lar que, todavia, já não viria a desfrutar.
Anos mais tarde, na aldeia de Couto Esteves, viveu ainda longos anos numa pequena casa que mandara construir, segundo o traço que Else deixara desenhado, prevendo um lar que, todavia, já não viria a desfrutar.
Em frente da paisagem das grandes serranias, Westenfeld viveria ainda longos anos com a D. Augusta, mulher do povo daquela pacata aldeia, que acolheu com hospitalidade o estranho mas amável e solidário cidadão, o alemão português Henrique Delgado Westenfeld. Era o ancião que todos saudavam e respeitavam.
Escrevera romances, de fundo autobiográfico e sempre imbuídos da sua visão espiritual, que nunca chegou a publicar por desinteresse dos editores em Lisboa (A Paciência que os Deuses têm, Linda-a-Flor e Festa no Roseiral).
No entanto publicou alguns artigos dispersos em jornais e revistas, quase todos não assinados e por isso de difícil identificação.
O jornal de Sever do Vouga publicou-lhe alguns artigos, assinados, que revelam as suas preocupações esotéricas.
Pertenceu à Associação de Jornalistas com sede no Porto.
Porém, é na imprensa alemã, que Henrique Westenfeld teve mais sucesso.
Publicou um livro histórico, “Wilcabamba” sobre a civilização pré-colombiana na América Latina e ainda numerosos artigos na revista “Das Goetheanum” da Antroposophische Gesellschaft.
Deixou também inéditos em língua alemã, destacando-se uma pequena história secreta de Portugal, onde o autor pretende descriptar o sentido histórico de alguns movimentos ocultistas que actuaram em Portugal.
Este ano, 2009, em Maio último, fomos a um passeio a Sever do Vouga. Fomos ver a paisagem de árvores frondosas que se estendem entre a serra da Freita e o Buçaco, por entre o vale do Vouga. Paramos em Couto de Esteves.
Lembrei-me então deste meu velho amigo que ali morrera. Descobri, graças ao dr. Mário Silva, professora Rosa e D. Carolina que se comemora este ano, os 25 anos duma associação fundada ali por Henrique Westenfeld.
Soube ainda que existiam velhos papéis e alguns livros da sua biblioteca.
Este homem solitário nunca deixara, porém, de conviver com gente popular e com aqueles que, como ele, se tornaram “buscadores de verdade”.
Desses velhos papéis tirei estas pequenas notas que dão informações sobre o seu trabalho espiritual meditativo e a sua longa tarefa de animador em grupos dispersos pelo país onde, ao longo dos anos 20 até aos anos 80, se encontrou com gente de vários sectores, desde o cirurgião oncológico Carlos Santos, o Dr. Gentil Berger, a família Abecassis, João Quaresma, José Figueiredo e inúmeros alemães com quem conviveu e se correspondeu, Dr. Fritz Schnurmann, Emil Spittler, Paul e Walter Yung, etc.
Refotografei velhas fotografias, de que aqui reproduzo algumas e que constituem o contexto da sua história de vida.
Depois, para relembrar todo este encontro com Henrique Westenfeld, visitei o museu Soares dos Reis, onde se encontrava o espólio da sua esposa alemã.
A Dra. Ana Paula mostrou-me as aguarelas e os desenhos de Else Althausse que Henrique Westenfeld cuidadosamente entregara ao cuidado deste Museu.
Este espólio é constituído por aguarelas subtis de cores matizadas. Fazem lembrar o gosto pela arte nova e “Art Déco”.
Muitos dos desenhos expressam temas infantis para contos de fadas e das Mil e Uma Noites. Algumas imagens traduzem ambientes esotéricos que revelam preocupações espirituais do casal.
Fico tocado pela subtileza poética e pela intensidade emotiva das aguarelas.
Observei ainda algumas folhas da revista do ABCzinho e embora a má qualidade da reprodução tipográfica de algumas imagens seja notória, os desenhos são de uma grande sensibilidade, ternura e por vezes até divertidos.
Essa sua relíquia preciosa, o espólio que Henrique Westenfeld entregara ao museu, era a expressão duma grande paixão.
O artigo publicado na revista cultural do museu e que surge na altura da entrega do espólio, culmina o sentido desta doação. Este artigo está cheio de informações pessoais e constitui um esboço biográfico de valor documental. Não vem no entanto assinado. Mas esse texto é claramente de Henrique Westenfeld como se percebe no rascunho mais longo que existe em sua casa. Apenas por um pudor e notória humildade, quer unicamente homenagear a sua esposa. Quer deixar ali a convicção das suas ideias sobre a reincarnação! A vida poderá ser apenas um lugar de passagem para outras vidas…
18/06/09
4ª Conferência Internacional DERBI 2009 - Perpignan

Decorreu de 11 a 13 de Junho de 2009, a 4ª edição da Conferência Internacional DERBI, no Palácio dos Congressos em Perpignan - França.

A minha impressão pessoal é de que estes encontros têm vindo a consolidar, ao longo destas quatro edições uma estratégia clara para um plano de desenvolvimento de energias renováveis no mediterrâneo.
Esta geoestratégia promove uma solidariedade activa entre os povos da bacia mediterrânica e constitui um espaço para o debate e reflexão sobre o desenvolvimento ecologicamente sustentado.
Esta ideia foi sintetizada no 1º dia, na comunicação apresentada pelo presidente do DERBI, André Joffre.

No 2º dia, as questões relacionadas com a arquitectura levaram a uma compreensão da complementariedade entre a arquitectura tradicional e as inovações tecnológicas.
Assim, o conhecimento aprofundado da arquitectura vernacular (implantação, materiais e sistemas) combinado com as inovações solares, geotérmicas, eólicas e outras, poderá constituir uma linha de força para a construção de ecoedifícios, ecobairros, ecoaldeias, ecovilas e ecocidades.
Os arquitectos e urbanistas presentes na conferência, foram unânimes na necessidade de se apostar em edifícios e cidades de baixo consumo energético, através de meios de "low technology" antes de se realizar a implementação de meios técnicos mais sofisticados.
Assinalamos ainda a importância da articulação entre a energia termosolar e a energia fotovoltaica, que constitui uma inovação científica e que tem vindo a ser experimentada no projecto actual de Themis, gerido pela Tecsol.
Tive também a ocasião de conversar com o responsável pelo forno solar de Mont-Louis, Engenheiro Denis Eudeline (http://www.four-solaire.fr/) que me referiu o trabalho deste forno solar em ligação com a cooperativa de cerâmica SAFI, de Marrocos.
Esta conversa permitiu-me reflectir sobre a complementariedade de múltiplos projectos de energia solar.
Assim, para além da inovação da central solar de Themis, com exigências tecnológicas elevadas, é possível em qualquer país ou região menos favorecida economicamente, construírem-se mini-centrais termosolares, com espelho reflector parabólico, que permitam a utilização de pequenas indústrias de siderurgia (fabrico de utensílios agrícolas), de panificação e de produção de energia.Pode-se construir este tipo de "fábrica solar" em qualquer aldeia africana, por exemplo, ao preço de custo de uma pequena casa.
Foi particularmente interessante a actividade da Associação dos Amigos do Padre Himalaya de Sorède, promovida pelo seu presidente Antoine Sanchez, que possibilitou uma larga difusão do histórico da energia solar.
O Professor Amand Darbon pôde mostrar os vários protótipos experimentais que construiu, baseados nos aparelhos solares do Padre Himalaya, explicitando assim o seu funcionamento.
Dia 13 de Junho estivemos em casa de Amand Darbon. Mostrou-nos as experiências com novos aparelhos. O David, entusiasmado com as leituras sobre o alquimista Flamel, queria purificar o chumbo derretendo-o mil vezes no aparelho solar….
À terceira fundição já o pedaço de chumbo parecia de ouro!!
À terceira fundição já o pedaço de chumbo parecia de ouro!!
No dia 14 de Junho celebrou-se a 4ª Festa do Sol, em Sorède, pela Associação “Les amis du Padre Himalaya”, de Sorède, no local onde o Padre Himalaya construiu o Forno Solar. Fez-se mais uma vez uma homenagem ao sábio português.
Os aparelhos do padre Himalaya, construídos por Amand Darbon estiveram também patentes nesta 4ª Festa do Sol.
Os aparelhos do padre Himalaya, construídos por Amand Darbon estiveram também patentes nesta 4ª Festa do Sol.
08/06/09
Rabiscos dum caderno de viagens - Páscoa de 2009
I
MONTE ST. MICHELViajar é aprender. Aprender a conviver e ver paisagem.
Petrarca ascendeu ao Monte Ventoux para olhar a grande paisagem: a infinitude do olhar da águia sobre a infinitude do mundo. Era um "olhar de Deus". Era a contemplação da natureza. Era o cosmos ou a ordem divina do mundo.
Rousseau procurou outro olhar: o êxtase na beleza da paisagem.
Ainda um outro olhar teve Goethe. Na viagem à Itália foi um olhar múltiplo. Um olhar sobre os homens, sobre plantas, sobre a história.
Em todos os casos foi alimentar a alma.
Aquele olhar que se vê a si na sua própria humanidade em simbiose com a natureza.
Na Páscoa partimos com olhares diferentes, numa aventura iniciática.
O João, a Patrícia, o António e eu.
Começamos a 6 de Abril de 2009...
A 1ª etapa - o Monte St. Michel
A água, o vento, a pedra e a luz esculpidos naquele barco de rochedos em que S. Miguel poisa na agulha do tecto mais alto da abadia. É a "geia" divina que surge como o milagre dos elementos.
O labirinto de pedras que ascende ao céu...
Os escadórios serpenteiam como cobras por entre as íngremes ravinas. Os edifícios alcandorados em cascata, formam um presépio gigantesco. Os pétreos contrafortes esteiam aquele prodígio de arquitectura sagrada. Êxtase de sucessivas gerações. Aspirações enraízadas na imensa pedreira que flutua ao sabor das marés.
O poente morre no oceano, a ocidente.
II
CHARTRESChartres é luz e geometria.
A rosácea cria múltiplas cores duma mandala que estimula o mistério.
As esculturas da porta ocidental são o´símbolo alquímico.O "tetramorfo" revela a complexidade do nosso "eu". Os profetas, David, Salomão e a rainha de Sabá, contextualizam os nossos paradigmas históricos e o labirinto obriga-nos a dar sentido ao caos da nossa errância.
III
ARC-ET-SENANS
Máquina em busca do cosmos prospéctico e mecânico de Newton.
Hierarquia do olhar. No entanto, mistérios infinitos das trevas: o sal recôndito dos alquimistas, trazido da rocha profunda à luz do sol.
IV
RONCHAMP
Pássaro branco, pousado sobre a colina, entre o céu e a terra.
V
GOETHEANUM
Entre as margens montanhosas de falésias sinuosas e abruptas, o aqueduto é uma ponte sólida, geométrica e altiva ligando revoltas águas reflectidas no fio límpido e imóvel que escorre o sol.

A viagem foi ainda muito mais do que estes marcos canónicos da história de arte.
Fomos ao mundo obscuro dos que não têm lugar na história estreónica e imediática.
Batendo estradas e caminhos poeirentos, subindo e descendo por desfiladeiros perdidos, em montanhas altas e plainos ermos, vimos alquimistas, sábios e procuradores da verdade:
1. Rolland, na sua quinta-laboratório, tratando de taludes ecológicos.
2. Baronnet, fazendo autonomia construtiva e energética com pensamento autonómico.
3. Michel Rosell, contruindo máquinas ecológicas e casas fabulosas em campos fertéis de árvores raras.
4. Rabhi, regenerando a terra com compostos vários em experiências alquímicas e agro-ecológicas.
5. Albrecht, forjando vontades em corpos caídos em busca de sonhos e prodígios.
A viagem é sempre uma iniciação.
Perdidos na noite, procuramos albergues em tortuosos caminhos.
Perdemo-nos mil vezes. Achamo-nos na catedral de Burgos, recebendo a concha da peregrinação...
A viagem foi ainda muito mais do que estes marcos canónicos da história de arte.
Fomos ao mundo obscuro dos que não têm lugar na história estreónica e imediática.
Batendo estradas e caminhos poeirentos, subindo e descendo por desfiladeiros perdidos, em montanhas altas e plainos ermos, vimos alquimistas, sábios e procuradores da verdade:
1. Rolland, na sua quinta-laboratório, tratando de taludes ecológicos.
2. Baronnet, fazendo autonomia construtiva e energética com pensamento autonómico.
3. Michel Rosell, contruindo máquinas ecológicas e casas fabulosas em campos fertéis de árvores raras.
4. Rabhi, regenerando a terra com compostos vários em experiências alquímicas e agro-ecológicas.
5. Albrecht, forjando vontades em corpos caídos em busca de sonhos e prodígios.
A viagem é sempre uma iniciação.
Perdidos na noite, procuramos albergues em tortuosos caminhos.
Perdemo-nos mil vezes. Achamo-nos na catedral de Burgos, recebendo a concha da peregrinação...
01/06/09
Maio 2009 - Françoise Choay na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
No mês de Maio, Françoise Choay esteve na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra a proferir uma conferência sobre património e globalização.
Tive a oportunidade de escutar uma comunicação interessantíssima e de recordar os finais dos anos 60 e princípios de 70 em que fui seu aluno na Université de Vincennes, Paris VIII.
Recordo com gratidão o privilégio de ter obtido, posteriormente, um prefácio de Françoise Choay no livro que publiquei em França, "Urbanisme et Revolution", 1973, resultado da dissertação de "Maitrise" em Urbanismo, realizada sob a sua direcção.
Jacinto Rodrigues
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